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Deflower Me If You Can (Novel) - Capítulo 89

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. Capítulo 89

O que está acontecendo aqui?
Bliss estava sentado, estático, apenas piscando os olhos enquanto o anúncio do capitão ecoava repetidamente pela cabine.
Tudo começou há algumas horas.
— Bliss, onde você está? Venha agora, rápido!
Infelizmente, sem conseguir provar sequer um dos cookies que acabavam de sair do forno, Bliss correu até Penelope, que o fez trocar de roupa às pressas e ainda pegou seu passaporte.
— O que… o que está acontecendo tão de repente? — gritou ele, confuso.
Penelope apenas o puxou pelo braço, arrastando-o em direção à entrada.
— Não temos tempo para explicações, vamos logo!
Sem entender absolutamente nada, ele saiu e deu de cara com um carro já à espera. Penelope abriu a porta, empurrou Bliss para dentro e, vendo-o ainda em choque, abriu um sorriso radiante.
— Boa viagem, Bliss! Boa sorte!
Ela fez um sinal de positivo com o polegar e bateu a porta. O carro partiu imediatamente, e só então Bliss teve um momento para olhar ao redor.
… Na verdade, teria sido melhor não ter olhado.
*Hic.*
Ao perceber Cassian sentado bem ao seu lado, ele levou um susto enorme e virou o rosto rápido, fingindo observar a paisagem pela janela. “O que esse cara está fazendo aqui?”
Apesar do susto, não foi difícil deduzir o motivo. Era o carro do Cassian, então era óbvio que ele estaria ali.
Ele assentiu para si mesmo, mas logo surgiu outra dúvida: “Mas por que *eu* estou aqui?”. Ele não fazia a menor ideia, mas também não tinha coragem de perguntar. Enquanto perdia o fôlego olhando fixamente para fora, a noite caiu e eles chegaram a um lugar inesperado.
No aeroporto, assim que o motorista parou o carro, a cena de antes se repetiu. Empurrado de um lado para o outro por Cassian, seu secretário e os seguranças, Bliss acabou se vendo ali: sentado dentro de um avião.
E, mais uma vez, Cassian estava sentado bem na sua frente. O avião se preparava para decolar; a comissária serviu bebidas e petiscos, deu as instruções de segurança e se retirou. Só então Bliss, que até aquele momento apenas piscava os olhos atônito, conseguiu processar a pergunta:
“O que está acontecendo aqui?”
A única pessoa que poderia responder era o homem arrogante sentado à sua frente. Por mais que não fosse agradável, ele não tinha escolha. Bliss cerrou os punhos algumas vezes, respirou fundo e finalmente abriu a boca.
— Para onde exatamente nós estamos indo?
Foi a única pergunta que conseguiu formular após reunir toda a sua coragem. “Ele não vai me sequestrar, vai?”. No momento em que esse pensamento assustador cruzou sua mente, Cassian falou pela primeira vez:
— Áustria.
— O quê? Austrália?
Bliss gritou surpreso, fazendo Cassian travar por dois segundos com a boca aberta. Ele retomou a fala logo em seguida:
— Não, lá é onde tem cangurus. Nós estamos indo para a Áustria.
— Ah, eu sei. Austrália. Eu conheço.
Na verdade, ele não sabia. Bliss não tinha a menor ideia da diferença entre a Áustria que Cassian mencionou e a Austrália que ele mesmo disse. Mas seu orgulho não permitia que ele admitisse a ignorância. Então, preferiu continuar fingindo.
“Depois eu pergunto para o Grayson.”
Pensando assim, Bliss se calou, mas é claro que Cassian percebeu. Ele continuava pronunciando “Áustria” como “Austrália”.
Contudo, Cassian não disse mais nada. Aquilo não era importante agora. O motivo era simples:
— Por que está me levando assim tão de repente?
Ele precisava lidar primeiro com a “capivara” cheia de reclamações.
Cassian descruzou as pernas lentamente, cruzou-as novamente para o outro lado e respondeu:
— Só preciso de um ajudante para me acompanhar na minha agenda.
— Um ajudante?
Bliss franziu a testa e o encarou com desconfiança, como se não acreditasse no que ouvia. Mas ele já esperava algo do tipo.
— Isso mesmo, nada demais. Meu secretário cuida das coisas importantes, você só precisa ficar por perto e fazer o que eu mandar.
— Fazer o quê?
“Ele pergunta tudo.”
Mesmo que explicasse, ele provavelmente não lembraria por muito tempo. Sem criar grandes expectativas sobre as células cerebrais de Bliss, Cassian respondeu:
— Sei lá, me entregar uma garrafa de água ou segurar o guarda-chuva.
Ouvindo assim, parecia algo simples. Mas a dúvida permanecia.
— Se é só para dar água e segurar guarda-chuva, por que levar o passaporte?
Desta vez, foi necessário um silêncio ainda maior. Após cerca de cinco segundos, Cassian respondeu:
— Porque estamos indo para outro país.
— Ah.
Só então Bliss soltou uma breve exclamação, mas Cassian não achou que ele tivesse realmente entendido algo. Logo, as bochechas do rapaz inflaram, denunciando sua irritação.
— O que foi? Essa cara de novo. Algum problema?
Nesse momento, o avião estabilizou e o anúncio de bordo soou novamente. Bliss respondeu com um bico bem acentuado:
— É que eu vim sem jantar.
“Então ele estava de mau humor porque estava com fome.”
Como esperado, uma criança. Cassian pensou nisso e ergueu levemente a mão. Assim que a comissária se aproximou com um sorriso, ele falou enquanto encarava Bliss:
— Traga a refeição. Ele não lida bem com comida apimentada, então traga a pimenta separada.
— Sim, senhor. E qual vinho o senhor deseja?
Cassian escolheu um dos vinhos da lista e ela se retirou. Como já havia obtido informações com Penelope, ele sabia que Bliss não tinha alergias e conhecia seus pratos favoritos, então já tinha deixado tudo preparado. Bliss também devia estar acostumado com isso; afinal, onde quer que fosse, a família Miller preparava tudo de acordo com os gostos dele.
Dito e feito: ele começou a comer o que a comissária trouxe sem qualquer hesitação. Assim que a comida começou a fazer efeito, seu humor melhorou e ele até começou a sorrir radiante.
— Está muito gostoso! O ponto da carne está perfeito, excelente!
— Obrigada. As toranjas estão muito frescas hoje, aceita um suco?
Enquanto ele distribuía elogios à comissária, ela também sorria. Após o serviço de três funcionários que se revezavam para atendê-los, Bliss, de estômago cheio, acabou pegando no sono e roncando levemente. Mesmo sendo algo previsível, Cassian sentiu o peso da situação. Ele, ao contrário, estava com a mente totalmente desperta.
Em vez de dormir, ele pegou novamente o papel que guardara no bolso do paletó para conferir a lista. Por mais que olhasse, aquela agenda era um absurdo total, mas ele já tinha começado. Para conseguir visitar o cemitério após o horário de fechamento, teve que pedir um favor especial ao governo local. Felizmente conseguiu a autorização, mas agora devia um favor que teria que pagar algum dia. O problema era que o restante da agenda não era muito diferente. Na verdade, era ainda mais problemático.
— Haaa.
Sem conseguir evitar um suspiro profundo, ele virou o restante da taça de vinho de uma vez. “Por que eu tenho que chegar a esse ponto?”. Sentiu uma ponta de autodepreciação, mas não podia parar agora. Iria até o fim. Aquela agenda que para aquele garoto seria um “encontro”, mas para ele seria um pesadelo, seria cumprida até o último item.
Enquanto isso, o avião cortava o céu em alta velocidade.

***

Até onde nós estamos indo?
Bliss esfregou os olhos pesados de sono e balançou a cabeça, irritado. Depois de descer do avião, agora estavam em um carro. Estava tudo um breu lá fora e ele não tinha a menor ideia de quanto tempo faltava.
— Eu vou poder dormir quando chegarmos? — perguntou ele em tom de reclamação.
Cassian, sentado ao lado, respondeu com indiferença:
— Você poderá dormir para sempre se quiser.
“O que ele está dizendo? Esse cara é mau.”
— Ei, acorde. Ei.
Alguém chamou Bliss, balançando seu corpo suavemente. Ele percebeu, com atraso, que tinha caído no sono novamente.
— Uuuung.
Esfregando os olhos, ele se levantou a contragosto. Foi quando Cassian, que estivera em silêncio absoluto ao seu lado, falou:
— Chegamos. Desça.
“Hã? Finalmente?”
— Uuuuugh.
Assim que desceu, Bliss se espreguiçou com vontade e olhou ao redor com o rosto mais descansado. Onde era aquilo? Um hotel? Alguma casa de campo?
“Vou tomar um banho e me jogar na cama.”
Até aquele momento, Bliss não fazia ideia de onde estava.
— O quê?
No meio da escuridão total, ele viu algo ainda mais escuro. Uma enorme parede bloqueando o caminho, coberta por trepadeiras que pareciam garras, o que o fez sentir um calafrio na espinha. Diante daquela atmosfera sombria, ele encolheu os ombros, assustado, quando alguém se aproximou apressadamente para cumprimentá-los.
— Conde, seja bem-vindo. Estávamos à sua espera. Vir visitar a estas horas…
O homem continuava falando, mas Bliss não entendia nem metade. O que importava era o fato de o homem ter tirado uma chave do bolso e aberto um portão de ferro.
— Por favor, entrem — disse o homem, alternando o olhar entre Cassian e Bliss. — É realmente curioso, um passeio no cemitério a esta hora da noite. Ah, não, quero dizer… que hobby peculiar o senhor tem, haha.

 

 

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

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